Futuro plural
Bolbos de rosas dançavam, em círculos concêntricos, nas chávenas com uma agradável Vista Alegre, porque saídas da letargia de corpos frios, guardados no cheiro oco do tempo. Aqueciam-se, gota a gota, por dentro e o hálito da infusão subia jovialmente até duas bocas, com comissuras de entardecer de Outono, alheias à compostura de gloss...
A lua estava plena, enorme, e protegia-as, de longe, fazendo um harmonioso trio de certezas - nunca tornado algum se levantaria para destruir porcelana, pele ou vida!
Bordou, com Regina, sob aquela pálida luz, caminhos de confidências em ponto cadeia, porque as suas recordações lhe davam isso mesmo - prisões de vidas, unidas nos abraços de fotos que, espalhadas pela casa, a habitavam de silêncios que já nem se ouviam mais gritar.
Regina continuou a acarinhá-la, falando-lhe de um futuro que, se tivesse esse poder, desenharia para ela, a fim de lhe dar a transparência de vivências de aguarela, tão claras e tão leves, como gotas de chá derramadas em porosa toalha cor de pérola.
Quando se despediram da festa, sem música audível, a lua entrou pela noite dentro de uma casa com duas chávenas já completamente arrefecidas e iluminou a aguarela, ainda húmida, para que o caminho do futuro da São pudesse, um dia, voltar a emoldurar-se num ser plural.

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