Rés-do-chão de Janeiro
Descia do 12º andar, no elevador do tempo, para o rés-do-chão do calendário de Janeiro.
Estranhamente, tinha calor e procurava que os seus músculos fossem pequenos acumuladores térmicos para os periódicos frios do seu céu de encéfalo, por vezes em tempestades de madrugada...
Despedia-se de um horizonte de água, espelhando asas de gaivota de cor de nuvens.
Os registos que, daquela cidade, levava consumavam-se em filmes de células e celulóide de luz diurna, sem pensamentos de reveses!
Voltava para casa com um tesouro de imagens que não se compram em qualquer loja da Baixa de qualquer cidade do mundo - os tesouros que, sendo gratuitos, só o seu olhar sabia registar, numa fome de colagem de puzzles de existência - peças de um jogo que as ruas da cidade do Porto lhe davam, amiúde, grandiosamente.
Regressava com um bordado de paredes - bastidores de vida, obrigatoriamente para a sua casa de inverno, com a cabeça numa pequena nuvem em ponto de matiz de primavera...

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