Fonte de Águas
Regina acordou com um corpo quase inerte dentro de si; estava a querer começar a regenerar-se de uma intoxicação de sonhos prematuros. Não queria, sequer, olhar a fonte das suas expectativas, pois ela era a origem enganadora dos seus sonhos... Jorrava sempre em demasia, deixando-a com a cabeça inundada de imagens de harmonia e céu. Mas tinha de o fazer.
Regina precisava de aprender, sendo essa a terapia de caldos de alma, que os sonhos não se devem viver ao contrário, por antecipação... Eles não podem ser a matéria-prima dos nossos desejos. Estes devem crescer, em dois seres, quando em ambos há uma justificação de pele; quando há uma osmose de poros e quando um olhar habita em outro olhar, abrindo janelas de possibilidades - só assim se tem direito ao sonho e ao dever de sonhar - principalmente acordado; porque só aí é legítimo... porque só aí se pode acreditar!
E Regina tinha o vício, mais do que o hábito, de pensar sem a cabeça no chão, na terra: sonhava, quando ainda não devia, e acabava por se ver obrigada a engolir, quase sempre, a fonte das suas expectativas, com água imprópria para consumo.
Quando é que ela se cansará de envenenar o presente com uma miopia sem futuro???
Isso é o que ela vai querer saber, para se saber mais cristalina.

4 Comentários:
Às 2 de maio de 2006 às 09:24:00 WEST ,
Anónimo disse...
Gostei deste teu texto, belissimo com um sentido de que a vida pode ser também feita com a matéria prima de alguns sonhos.
Se um dia nao for,m nada terá mais sentido.
Fico a reler e da próxima vez, eu vou te dizer onde eu conheço um rio de águas limpidas e cristalinas parta saciares a sede dos teus sonhos.Nem precisas de saber nadar..
.
Às 5 de junho de 2006 às 14:39:00 WEST ,
Anónimo disse...
Simplesmente... lindo! Um texto a ler e reler...
Às 7 de junho de 2006 às 08:28:00 WEST ,
Anónimo disse...
Brilhante e comovente texto, sobre as nossas vidas.
Demasiado poético..e sentido, para aqueles que acreditam que as águas passsam duas vezes debaixo da ponte.
Assim, vale a pena novamente me apaixonar e ainda fazer amor aqui ou no outro mundo.
Obrigado
Às 8 de junho de 2006 às 12:07:00 WEST ,
Anónimo disse...
É raro encontrar um pedaço de prosa tão bom.
É raro nos melhores.
É bonito...Isto é bonito! Esta crónica... isto é muito bom... Acho que me apaixonei por ti, desculpa lá. É uma gaita, mas eu apaixono-me sempre por mulheres capazes de escrever como se a linguagem não existisse. É um defeito que tenho.
Pronto, olha, já comentei e fiquei feliz.
Alvaro
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