regina - nome de chocolate e de mulher

31 maio, 2005

Ecos

Era o sorriso que enchia toda a sala de aula, quando a junção das letras se justificava para nomear a claridade que o seu rosto espelhava só para ela.
E o Carlos seduzia-a, fazendo tropelias no seu triciclo, ou bicicleta, ou Jaguar, enchendo de cor o bairro, com a sua camisolinha azul turquesa, que cheirava provavelmente a futuro homem adulto, agora incapaz sequer de se entrever.
Foi aí que ela começou a misturar sorrisos com alfazemas, com tardes quentes, com corpos sonhados como dois e acordados... a um.
Nunca se aproximou dele mais do que a distância de algumas carteiras de escola ou de quintal para quintal. Mas acordou com ele, de noite, a estranhá-lo ali ao lado, desfazendo-se quando lhe tocava a pele...
Então, a sua voz irremediavelmente diurna ecoava um imparável cânone:
"- Mas o que é que tu me queres, rapariga?..."
©reginachocolate