regina - nome de chocolate e de mulher

10 outubro, 2005

Fitas

Organizava a sua casa interior pensando, por exemplo, que seres lhe tinham moldado os gostos, pois os desgostos não os queria evocar, certamente!
E foi ao compartimento das fitas - de muitas cores, de muitas tramas. Puxou metros e metros de memórias, formadas por quadradinhos que lhe atravessavam neurónios enfeitados de celulóide...
Começou por vestir-se, inevitavelmente de Azul, por causa da luta que continuava a querer travar contra a adversidade... Não negou o Branco nem o Vermelho, uma vez que os valores que foram a roupagem da Revolução Francesa também a educaram, impondo-se como imperativos categóricos quotidianos.
Com muitas cores vibrantes, entrou em todo um universo concretizado em hospital psiquiátrico, onde a frase "Ninguém pode dizer que não tentei..." acabou por servir-lhe, com frequência, de exercício de vida. Recordava, também, um enorme índio de silêncios sábios... Deste modo, foi Voando Sobre um Ninho de Cucos com profundas impressões de fita inflamável.
Ficou com olhos de oceano, em nome da solidariedade e da não desistência, no filme Em Nome do Pai e em Tudo Sobre a Minha Mãe reviveu a fatalidade da morte precoce que invade, com rosto sádico, o suave decurso da vida, muito mais quando se é jovem...
Gostaria de ter recordado, de outro modo, os azares, recortando a realidade à boa maneira de um Eduardo Mãos de Tesoura, para poder aparar todos os argumentos, levando-os a um eterno, mítico e prazenteiro Happy End!