Sem Muros
"Não devemos voltar a um lugar onde fomos felizes", disse Agatha Christie.
Regina concordava, teoricamente, com tal afirmação, mas a sua prática ondulava-se nos meandros da memória e ela fazia surgir, amiúde, lugares e pessoas, em ecos de vai e vem, numa limitação de felicidade que lhe desfocava o presente.
Agora estava disponível para a fruição da presença de pessoas e lugares, com os quais podia ter uma visão mais nítida, não retrospectiva.
E o que estava para trás enterrou-o, num silêncio não fúnebre, dizendo: - Basta!!!
Não mais voltaria aos lugares onde já ninguém permanecia - assim, desta forma, com a objectividade de cada conceito...
Derrubando o seu muro de lamentações, erguia as tréguas das suas batalhas expiradas.
