regina - nome de chocolate e de mulher

29 julho, 2005

Sou

Encontrou uma enorme cidade, mas uma aparente pequenez de vida, sentida na paralisia de um desfalecer da vontade.
Regina nada via, a não ser as calçadas que eram pisadas por milhares de pessoas sem rosto, indiferente ao céu que se espraiava em felizes tonalidades de azul.
E aos seus ouvidos chegava, em cacofonia: - Nada és! Nada és! Nada és!
Levada por uma respiração ofegante e sem norte, subiu por dentro das suas certezas; aí encontrou um sorriso absolutamente cúmplice da mãe, que lhe dizia: - Tem calma!
Aquela era a frase que continuaria a ouvir, mesmo depois de ambas já não existirem, estava certa!
E, àquele eco reconfortante, foram-se juntando as vozes de todos os que a colocavam no teatro das suas vidas, que permanecem em cena durante múltiplas sessões.
Regina deu, depois, a mão às irmãs, cujo olhar bastava para se entenderem num esperanto de afectos...
Brincou com as suas amigas, num jogo de passeios, cartas e mensagens enviadas só porque sim, só porque todas estavam vivas e saudavam isso mesmo - a alegria das suas respirações...
Recordou os seus amores, reconfortando-se numa carícia de alguns dedos diferentes, mas com o mesmo Braille de um "gosto de ti"...
Olhou as centenas de olhos que observavam, há muitos anos, o que ela tinha para comunicar - o pôr em comum pensamentos e filosofias de existência...
E, finalmente, a todos disse: - AMO-VOS!
Depois, regressou ao sossego de um lar de flores e mais flores bem regadas. Dos cães, nada pode ver... O seu percurso foi todo feito na imperiosa necessidade de confirmação do que lhe queriam roubar - a certeza do seu mundo e o seu salutar entendimento face ao que lhe era mais sagrado!