regina - nome de chocolate e de mulher

13 março, 2007

O Avesso do Papel

Queria articular papéis, vontades, valores, desejos - tudo, tudo nos mesmos suportes bidimensionais. Tarefa árdua para Regina, que se assustava com o antes de tudo!
O seu objectivo era colocar-se nas telas brancas, moldando pensamentos em pasta de papel, colorindo-os de pigmentos, simbolizando os tais desejos, valores e vontades...
E os seus pensamentos foram-se dizendo na linguagem dos olhos - uma palavra-chave aqui, uma outra frase emblemática, acolá!
Papéis de jornal, de seda ou reciclados, com as mais diversas texturas, construíam o seu texto que seria lido, em breve, pela sensibilidade dos seus alunos - aqueles seres que observava, num sorriso silencioso quando, cada um no seu lugar, viajavam pela Filosofia e seus caminhos...
Agora seriam eles os autores, agora seriam eles a edificar os textos: filosóficos? literários?
A professora deixaria, por um tempo mágico, de o ser; ela era, agora, a autora das telas que comunicavam a interpretação que os seus alunos lhe quisessem dar.
Regina estava num contentamento ímpar, pois, na Feira do Papel e do Livro da Lousã, iria unir, como num avesso dos dias, a sua criatividade e a sensibilidade nascente dos seus dedicados e acarinhados alunos.
Era agora preciso autenticar as telas com a assinatura, com um nome, o seu nome, com o seu mais recôndito eu.