regina - nome de chocolate e de mulher

28 junho, 2005

Aguarelas de pele

Regina queria nomear o que o seu corpo sentia, mas sabia que só conseguiria chegar apenas ao seu limiar!
Ela sempre se atraiu pelas palavras, pelos textos, pelos livros, mas por mais emoções que eles lhe facultassem, tinha a certeza que nunca teriam a força que o abecedário da pele possuía. Isso, ele sabia-o e confirmava-o nos momentos de êxtase, sem data marcada...
Porque a sua pele, quando tocada por dedos de poros líquidos, tornava-se novamente folha branca, pintada com aguarelas de morno suor. Distendia-se e amaciava-se para que o gesto se inscrevesse e se delineasse em arrepio, percorrendo-a sem pontos cardeais - então, tudo nela se empolgava em suaves e hipnóticos monossílabos, podendo dizer-se que a sua epiderme, derme e músculos ficavam à mercê da calmaria de outra epiderme, derme e músculos de concórdia...
O que se ouvia, então, como eco do seu corpo esquecido de todas as palavras? O balbuciar da não compreensão de tudo, que era claro, como água, para quem lhe dava a fonte!