Existindo
Regina era dada ao fascínio da imagem, fixa ou animada e percorria, com avidez, galerias de arte e salas de cinema! Eram esses alguns dos seus grandes prazeres.
Passadas as festas natalícias, que vivenciou com um ânimo que tinha desejado leve e sereno, mas que se lhe tinha apresentado, fruto de circunstâncias peculiares, pesado e agitado, retomou o seu quotidiano, onde o trabalho lhe dava, como sempre, motivos de entusiasmo e de desgaste.
Há poucos dias, resolveu fazer de Coimbra uma cidade desconhecida e foi, por dentro dela, olhar as galerias de ar livre e os filmes de um quotidiano de cidadãos.
Gostou, efectivamente, de um novo plano que passou a ter da cidade, que nunca considerou sua - ela agora podia deslizar o seu olhar sobre um rio que lhe pareceu, até, bonito, a partir daquele plano horizontal à água... Atentou a cada pedaço de urbe, de cada lado do Mondego e calcorreou-o aereamente, numa brincadeira de aconchego de margens.
Terminou o dia em mote de Torre de Babel, descansando do passeio numa sala de cinema (com ridículas pipocas em paradoxal som de fundo), onde a sua sensibilidade se cruzou com labirintos de incomunicabilidade, que continuam também a habitar, nestas últimas semanas de cacofonia, a sua existência.
