regina - nome de chocolate e de mulher

02 junho, 2005

Mulherzinha

Pelas ruas da cidade ela crescia mulher e, em cada montra, via-se só a ela, numa repetição encadeada de espelhos…
Subia e descia avenidas e subiam e desciam, por ela, olhares novos de pessoas que sempre tinham feito parte da ornamentação dos jardins - flores e gente de uma pequena cidade comum.
- "A Regina está uma mulher!"
E sentia esta frase como invasora de músculos e pele que ela queria mais seus; mas, ao mesmo tempo, sabia que era chocolate de leite exposto em montra bem decorada, elegante, aromática - deleite de cacau, açúcar e saliva...
E neste sobe e desce de avenidas, num frenesim de vitrines, corpos, olhares, jardins e pensamentos confusos surgiu, impondo-se na sua pele morena e jovem, o rapaz que a obrigou a fugir, escada acima, após um toque de lábios húmidos e instantâneos – o Jorge!
Que interessava que mais nomes tinha?
O Jorge tinha o nome mais bonito do outro mundo, o masculino, e havia-lhe dado o beijo mais molhado, mais instantâneo, mais sublime e mais estranho – o único que, tendo sido o mais curto, se colou indelevelmente à sua boa memória de momentos únicos.
©reginachocolate