regina - nome de chocolate e de mulher

05 outubro, 2005

Melodia

Ouvia gritos que se aproximavam da sua cabeça, fazendo um eco de alertas e de dúvidas...
Os sons penetravam, insistentes, os seus ouvidos e ela pensava que queria, com urgência, evitar tal desconforto. Assomou à varanda de madeira da sua casa de campo e de mar, onde encontrava sempre motivos para histórias com a simplicidade do cheiro das manhãs com rosto - o seu.
No cimo da rua estreita e completamente secundária à trama de todas as ruas importantes do mundo, viu três meninas em gritos de cabelos soltos, abrindo os braços, alheias aos guiadores das suas bicicletas e deixando-se deslizar em rodas de perigo controlado, dando um fresco olá aos pequenos perigos com que as aventuras da puberdade as presenteavam.
Eram três, voltou a contar, com três gritos de liberdade de campo aberto, dirigindo-se ao mar de corpos de água e olhos de sal sem lágrimas...
Percebeu, então, que o grito só é grito quando se chora; que o grito não é grito quando se ri - melodia de vida em gargantas de meninas coloridas de sons nunca suaves - sons de respiração alegre.
Regina sentou-se na cadeira de baloiço da sua infância arquivada e disse: - Tenho-a em recordações de melodias e de gritos...
E ficou a ouvir o eco das rodas das três bicicletas a pedalarem um tempo compassado de tempo.